Executivo analisa estrutura de SPAC diante de gráficos financeiros e ícones fiscais

Nos últimos anos, tenho observado um interesse crescente no Brasil por modelos inovadores de estruturação societária e de captação de recursos. Um desses modelos, bastante difundido no exterior, é o das SPACs, Special Purpose Acquisition Companies, ou, traduzindo de forma livre, Companhias de Propósito Específico para Aquisição. Neste artigo, compartilho minha visão sobre os passos para organizar uma SPAC e os cuidados fiscais essenciais em território nacional.

O que são SPACs e como funcionam

Quando trato do tema com clientes, noto que o conceito ainda gera dúvidas. As SPACs são sociedades criadas com o intuito exclusivo de captar recursos por meio de oferta pública de ações. Depois, usam esses recursos para adquirir ou fundir-se com outras empresas. O investidor adquire participação na expectativa de que a SPAC encontre uma oportunidade promissora.

Elas não possuem operações relevantes antes da aquisição. Sua estrutura visa viabilizar a listagem rápida na bolsa e, só após a captação, inicia o processo de busca por alvos, geralmente empresas privadas.

A SPAC existe para comprar, não para operar.

Lá fora, seu funcionamento já é consolidado. No Brasil, a discussão é recente e demanda uma série de cuidados, tanto do ponto de vista societário quanto fiscal. Por isso, destaco pontos que devem ser observados por quem pensa em organizar uma SPAC neste ambiente ainda em construção.

Passos para organizar uma SPAC no Brasil

Com base na minha experiência em planejamento e estruturação de negócios, destaco um roteiro comum para a criação de uma SPAC, adaptado à realidade brasileira:

  1. Constituição da companhia: No Brasil, normalmente recomenda-se abrir a SPAC como sociedade por ações, com regulamento detalhando sua finalidade e regras de funcionamento.
  2. Captação de recursos: Realiza-se uma oferta pública inicial (IPO), limitada pela regulação local, em busca de investidores que acreditam na capacidade do time gestor de identificar bons negócios.
  3. Gestão dos recursos captados: O dinheiro fica em uma conta vinculada até que se defina o investimento-alvo.
  4. Seleção e aquisição do alvo: Após o IPO, a SPAC tem um prazo (geralmente dois anos) para negociar a aquisição ou fusão com uma empresa privada.
  5. Término ou liquidação: Se não houver aquisição no prazo, os recursos são devolvidos aos investidores.

Esse passo a passo pode parecer direto, mas cada etapa esconde complexidades jurídicas e fiscais que não devem ser ignoradas.

Implicações fiscais das SPACs no Brasil

Ao estruturar SPACs no ambiente brasileiro, costumo advertir para a multiplicidade de tributos que podem incidir ao longo de sua vida:

  • Tributação do IPO
  • Tributação sobre aplicações financeiras
  • Tributação na aquisição ou fusão
  • Tributação do ganho de capital dos investidores

Todos esses pontos exigem, na minha visão, um olhar atento para evitar surpresas desagradáveis. Vou abordar cada um deles de maneira clara e prática.

Tributação no IPO

No IPO, a emissão de ações não gera, em regra, tributação sobre a própria SPAC. Contudo, a venda secundária de ações pelos controladores pode gerar tributação sobre ganho de capital. Este cuidado, muitas vezes ignorado, deve ser parte do planejamento inicial.

Rendimentos de aplicações financeiras

Enquanto a SPAC ainda não adquiriu sua empresa-alvo, o dinheiro captado normalmente é aplicado. No Brasil, essas aplicações rendem juros e estão sujeitas a IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte).

Mesmo inativa operacionalmente, a SPAC pode incorrer em obrigações fiscais.

Tributação na aquisição ou fusão

A aquisição do alvo pode envolver diferentes tributos, dependendo da natureza do negócio e do formato da operação. Nas operações de fusão ou incorporação, pode ocorrer a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Recomendo acompanhamento especializado já na fase de negociação para mapear possíveis impactos.

Ganho de capital e distribuição de lucros

Os investidores da SPAC podem ter ganho de capital caso vendam suas ações após a aquisição do alvo. Para pessoas físicas residentes, incide IR variando conforme a valorização da participação. Já a distribuição de lucros depende do regime tributário da sociedade adquirida, o que exige um estudo detalhado de cada caso.

Diretores de uma empresa discutindo criação de SPAC em sala de reunião

Desafios jurídicos e regulatórios das SPACs no Brasil

Organizar uma SPAC no Brasil exige atenção à legislação societária, à regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e às normas tributárias. Tento acompanhar os debates sobre a criação de normativos próprios para SPACs, mas até agora o processo de registro segue as regras gerais para companhias abertas.

Outro aspecto importante é o papel dos gestores, órgãos de governança e mecanismos de devolução dos recursos, caso a aquisição não ocorra. Tudo precisa ficar muito bem documentado para evitar litígios ou questionamentos futuros.

A importância do planejamento tributário e jurídico

Na BSP Advogados, nossa equipe acredita na força do planejamento feito sob medida para cada realidade. Ao organizar uma SPAC, aplicamos práticas que reduzem o risco fiscal e potencializam benefícios, estudando regimes especiais, possíveis incentivos fiscais e a estrutura do grupo econômico envolvido.

Já assessorei equipes que buscaram planejamento tributário alinhando questões contratuais ao impacto no negócio. Não há uma formula mágica, mas sim o rigor no mapeamento de riscos e oportunidades.

Quadro de cotações na bolsa com SPAC em destaque

Possíveis benefícios fiscais

Apesar de não serem automáticos, alguns incentivos setoriais ou regionais podem ser acessados por uma SPAC brasileira, dependendo do perfil do alvo adquirido. Aqui, o conhecimento da legislação de incentivos fiscais faz toda diferença.

Por outro lado, especialistas do nosso escritório costumam estudar oportunidades relacionadas à estruturação empresarial e societária, encontrando modelos que alinhem a proteção patrimonial com a melhor economia tributária permitida em lei.

SPACs e holdings: sinergias e estratégias

Um caminho recorrente envolve aproximar o modelo de SPAC à montagem de holdings de participações, como já escrevi sobre as vantagens fiscais das holdings. A SPAC pode ser utilizada para criar um veículo institucionalizado que integra aquisições, aportando mais governança e flexibilidade na gestão.

Cuidados práticos para empresários e gestores

Recomendo preparar um dossiê bem elaborado para aprovação junto à CVM, desenhar uma governança robusta, proteger dados e registrar adequadamente todos os contratos e decisões do conselho de administração. Além disso:

  • Mapear eventuais riscos trabalhistas na aquisição de empresas alvo
  • Analisar obrigações fiscais indiretas
  • Planejar os impactos futuros para sócios, gestores e investidores

Todos esses pontos fazem parte do acompanhamento que prestamos na BSP Advogados para empresas e pessoas físicas interessadas em estruturas inovadoras e sólidas.

Conclusão

Organizar uma SPAC no Brasil é empolgante, e traz potencial para negócios e investidores. Mas não é uma tarefa trivial: envolve múltiplos aspectos regulatórios, societários e, principalmente, fiscais. Com orientação qualificada, as vantagens de transparência, captação ágil de recursos e possibilidade de ganhos podem ser alcançadas.

Quem estrutura bem, reduz riscos e maximiza retornos.

Se você busca apoio técnico, análise personalizada sobre SPACs ou outras estruturas jurídicas e fiscais, convido a conhecer melhor os conteúdos do escritório BSP Advogados e a nos procurar para discutir as melhores alternativas para o seu cenário. Nosso foco é identificar oportunidades reais, sempre pautados pela ética e experiência em direito tributário de alta complexidade.

Perguntas frequentes sobre SPACs no Brasil

O que é uma SPAC no Brasil?

SPAC significa Special Purpose Acquisition Company, ou Companhia de Propósito Específico para Aquisição. No Brasil, trata-se de uma empresa criada exclusivamente para captar recursos no mercado e, em seguida, adquirir outra empresa ou se fundir com ela, sem atividade operacional prévia.

Como criar uma SPAC no Brasil?

A criação de uma SPAC envolve constituir uma sociedade por ações, preparar documentos societários detalhados, registrar junto à Comissão de Valores Mobiliários, captar recursos via IPO e garantir mecanismos de governança. Também é necessário desenhar um processo transparente para devolução dos recursos caso a aquisição não se realize.

Quais são as implicações fiscais das SPACs?

As SPACs no Brasil enfrentam tributação sobre rendimentos financeiros, possível tributação na aquisição de alvos, e incidência de IR sobre ganho de capital dos investidores. O impacto fiscal total depende do modelo adotado e das operações futuras da empresa-alvo.

Vale a pena investir em SPACs no Brasil?

Depende do perfil de risco do investidor e da equipe à frente do projeto. O modelo pode trazer ganhos relevantes, mas carrega riscos específicos, como o não fechamento de aquisição e as incertezas regulatórias no país.

Quais impostos incidem sobre as SPACs?

Entre os impostos que podem incidir estão: Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras, IR sobre ganhos de capital na venda de ações, além de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em operações de aquisição ou fusão, variando conforme o caso concreto.

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Bata Simões

Sobre o Autor

Bata Simões

Dr. Bata Simões é Pós-Doutor, doutor e mestre em direito tributário, atuando como referência na área. Fundador do escritório Bata Shintate Pieroni Advogados (BSP), ele possui vasta experiência em consultoria tributária, planejamento patrimonial, recuperação de créditos e estruturação jurídica de empresas e ativos, tanto no Brasil como no exterior. É reconhecido por sua atuação personalizada junto a empresários, gestores e profissionais que buscam eficiência e segurança em questões tributárias.

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