Em quase duas décadas de atuação no direito tributário, percebo que a sucessão em empresas familiares envolve desafios muito além dos aspectos emocionais e do futuro do negócio. O impacto tributário de cada decisão é um fator que, quando mal interpretado, pode comprometer a continuidade e a saúde financeira da empresa. Neste artigo, abro minha experiência para apresentar uma visão prática sobre os principais pontos fiscais ligados à sucessão em empresas familiares em 2026, abordando temas que vivencio diariamente no escritório Bata Shintate Pieroni Advogados (BSP).
Por que a sucessão empresarial familiar ganha importância?
Quando converso com empresários e famílias empresárias, noto um medo constante: “Quais impostos terei que pagar e como evitar surpresas desagradáveis?” Isso faz sentido. No Brasil, a transição do controle ou do patrimônio familiar para a nova geração, quando ocorre sem planejamento, costuma resultar em disputas judiciais, custos imprevistos e até quebra da empresa.
Cuidar da sucessão é cuidar do futuro do negócio e da família.
Além das questões civis e societárias, a tributação pode tomar proporções imprevistas, principalmente em empresas que já acumulam valores expressivos em ativos e lucros retidos. Muitos não veem que escolher o melhor momento e instrumento é o que permite economias legais na passagem dos bens e da gestão.
Quais impostos incidem sobre a sucessão em empresas familiares?
Na abordagem técnica que uso no BSP, oriento sempre que é preciso identificar quais tributos incidem, a depender do tipo de sucessão:
- ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação): cobrado pelos Estados ao transferir participação societária ou outros bens pelo falecimento ou doação.
- IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física): eventual ganho de capital pode ser tributável, como na venda futura de participação herdada ou doada.
- Outros tributos : dependendo da forma de antecipação da sucessão, surgem discussões sobre ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) e, raramente, tributos municipais ou mesmo contribuições previdenciárias em contextos muito específicos.
No dia a dia, me deparo com dúvidas sobre o percentual do ITCMD em cada estado, lacunas regulatórias e como estruturar holdings familiares para minimizar riscos e custos, o que trato mais a fundo em pontos tributários do planejamento sucessório.
O que muda em 2026 na sucessão de empresas familiares?
Tenho acompanhado atentamente o cenário legislativo e, para 2026, espero alterações importantes no jeito que o ITCMD poderá ser cobrado. Propostas de ajuste das alíquotas máximas do ITCMD estão em debate, assim como tentativas de uniformizar a base de cálculo e aumentar a fiscalização. Isso impacta herdeiros e familiares diretamente.
Outro ponto relevante é a pressão internacional para garantir transparência e combater fraudes e planejamentos agressivos por meio de offshores. É tema recorrente entre os clientes do BSP, que muitas vezes possuem ativos no exterior ou planejam ampliar.

Estratégias para reduzir custos tributários na sucessão
Com base nos casos que atendo no BSP, sei que é possível, sim, pagar menos tributos na sucessão, desde que o planejamento seja antecipado e siga a legislação. Algumas estratégias que recomendo:
- Criação de holdings familiares: Estruturar uma holding pode facilitar a transferência de patrimônio, unificar ativos e proteger a empresa contra conflitos familiares. Ao centralizar as participações, a sucessão ocorre por meio de quotas, tornando o processo mais rápido e previsível do ponto de vista fiscal.
- Doações em vida: Antecipar a transmissão de quotas por doação em vida, com cláusulas de usufruto, costuma gerar menos tributação do que a sucessão causa mortis. Atenção apenas ao escalonamento do ITCMD e à atualização do valor patrimonial.
- Planejamento patrimonial cruzado com planejamento tributário: Só é efetivo pensar na parte fiscal quando há clareza sobre o patrimônio real. Recomendo mapear imóveis, aplicações e sociedades no Brasil e no exterior, avaliando qual instrumento está mais alinhado ao perfil e objetivo familiar.
- Acompanhamento das mudanças legais: Em 2026, novas regras podem modificar o valor do imposto e suas bases de cálculo. Estar informado evita grandes sustos.
A dinâmica tributária pode ser checada com detalhes em conteúdos sobre direito tributário e em textos que aprofundei sobre governança corporativa e impactos tributários.
Estruturação de holdings familiares: cuidado com os detalhes
Nessa etapa, minha experiência mostra que alguns pontos chamam atenção:
- Definir corretamente o objeto social da holding;
- Evitar erros comuns que podem levar a autuações fiscais, como já detalhei em erros na estruturação de holdings;
- Registrar corretamente os valores e as cláusulas de administração, usufruto e reversão, sempre pensando no ITCMD e no IRPF;
- Deixar documentado todo o acordo de sócios e as regras de entrada e saída dos herdeiros.
O risco maior é planejar pela metade.
Nesse tipo de operação, cada detalhe faz diferença, como o valor atribuído às quotas ou ações e o momento da avaliação do patrimônio. Quanto melhor a documentação, menor a chance de conflitos e autuações.
O papel do planejamento patrimonial internacional
Quando o patrimônio dos clientes inclui ativos fora do Brasil, percebo que cada país adota uma regra fiscal diferente. A legislação brasileira, em linhas gerais, tributa a transmissão de patrimônio mundial dos residentes. Em caso de sucessão de empresas que possuem holdings ou ativos em outros países, desafios como dupla tributação, bloqueios judiciais e câmbio podem surgir.

Nesses casos, indico sempre um planejamento patrimonial coordenado, analisando tratados internacionais, regras de reporte de ativos e regimes tributários vigentes. O apoio técnico especializado é fundamental.
Como costumo conduzir projetos de sucessão empresarial familiar
O processo nunca é padronizado. Analiso as características da família, as especificidades do negócio, o perfil sucessório desejado e, claro, os riscos fiscais. Algumas etapas orientam minha atuação:
- Entrevistas com os sócios, herdeiros e gestores para entender expectativas;
- Mapeamento completo do patrimônio e dos possíveis cenários tributários;
- Junto sugestões de estratégias, como holding, doação em vida ou testamento;
- Simulação dos impactos fiscais em cada hipótese;
- Escolha compartilhada da solução e formalização por meio de contratos, atas e estatutos;
- Acompanhamento das obrigações fiscais pós-sucessão e do cotidiano da empresa.
Os maiores ganhos observados são a preservação do legado e a redução das chances de litígios, conforme já constatei em diversos projetos realizados no BSP Advogados.
Conclusão
Na minha experiência, tratar a sucessão como um processo contínuo, com atenção a todos os aspectos tributários, é o primeiro passo para garantir a continuidade das empresas familiares em 2026 e além. A antecipação e o acompanhamento técnico tornam a transição muito mais tranquila e econômica.
Se você busca esse tipo de segurança e personalização, recomendo conhecer melhor os serviços do Bata Shintate Pieroni Advogados. Nossa equipe está pronta para estruturar soluções sob medida para a sua família e seu negócio. Agende uma conversa e sinta a diferença de trabalhar com quem realmente entende dos desafios tributários da sucessão empresarial.
Perguntas frequentes sobre sucessão em empresas familiares
O que é sucessão empresarial familiar?
Sucessão empresarial familiar é o processo pelo qual a administração e o patrimônio de uma empresa, controlada por membros de uma família, são transmitidos para a próxima geração, podendo ocorrer por falecimento, doação em vida ou aposentadoria dos fundadores. Além dos aspectos legais, trata-se de perpetuar valores, garantir a sustentabilidade do negócio e prevenir disputas internas.
Como funciona o imposto na sucessão?
O principal imposto incidente é o ITCMD, cobrado sobre a transmissão de bens ou direitos por herança ou doação. A alíquota e as regras variam conforme o estado, havendo ainda a possibilidade de cobrança de Imposto de Renda caso futuramente ocorra venda dos bens herdados com lucro. O correto planejamento permite escolher o caminho menos oneroso e mais seguro.
Quais tributos incidem na sucessão de empresas?
Na sucessão, podem incidir ITCMD (sobre a transmissão de quotas, ações ou imóveis), Imposto de Renda de Pessoa Física (em caso de ganho de capital) e, em situações específicas, ITBI para imóveis. Outros tributos são raros, mas podem surgir se houver movimentação patrimonial diferenciada.
Como planejar a sucessão para pagar menos imposto?
O segredo para reduzir a carga tributária está na antecipação: criar holdings, antecipar doações, utilizar usufruto e atualizar periodicamente o planejamento segundo a legislação vigente. Buscar acompanhamento técnico é fundamental para balancear economia tributária e segurança jurídica.
Sucessão em empresas familiares vale a pena?
Na minha visão, sim. Sucessão bem planejada garante a continuidade do negócio, a estabilidade dos herdeiros e reduz riscos de conflitos e autuações fiscais. O investimento no planejamento retorna em tranquilidade, economia e perpetuação do legado.